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domingo, maio 04, 2014

MARILLION - "Radiation" - 1998

Passado o Tsunami de emoções que vivemos intensamente nos últimos tempos, veio a calmaria, portanto chegou a hora de voltar a botar os velhos e cansados neurônios para trabalhar um pouco e nada melhor para isso do que desafiá-los com algo instigante, fora da zona de conforto, então o meu velho e amado Marillion mais uma vez, será a minha fonte de inspiração.

Apenas um detalhe, nada de “Fish” desta vez, pois senão não seria um desafio, seria um passeio em um Parque da Disney e para fugir do lugar comum, aleatoriamente sorteei um dos diversos álbuns da “Era Hogarth” que tenho e o vencedor deste sorteio foi o álbum “Radiation”, por sinal "um puta” álbum.

A princípio isso vai parecer mais um papo de “doidão” ou coisa parecida, mas o fato é que eu tenho este álbum desde o seu lançamento e mal o escutei sequer uma única vez, portanto para mim ele é agora um lançamento de 2014, mesmo tendo sido lançado há uns bons 16 anos.

É um fenômeno praticamente inexplicável, pois os membros da banda são os mesmos, apenas mudando o vocalista, que também é muito bom e prova disto é que está no grupo até hoje, então, tentando dar uma explicação bem primária ao caso, eu chego ao simples “preconceito” sem fazer muita força, agregado a certa dose de saudosismo “barato” em relação ao rock progressivo dos anos setenta, que eu adoro, admito, uma vez que, os álbuns iniciais do Marillion com Fish, sem a menor cerimônia, deram um “foda-se” literal para as tendências musicais dos anos oitenta e indo na contramão da história, marcaram seu território e formaram uma imensa legião de fãs.

Aparentemente tudo ia muito bem até que de uma hora para outra, eu vejo uma das minhas bandas prediletas, trocar Fish por Hogarth, pensei: “que porra é essa???”, lógico, na época foi um banho de água fria e por conta do preconceito, eu estou atrasado pelo menos há uma década e meia em relação aos trabalhos da banda, mesmo tendo adquirido praticamente todos os álbuns de estúdio, pois permanecem intocados.

A rigor, meu ato não é uma implicância gratuita com o Marillion e/ou Hogarth, tendo em vista que eu já fiz isto até com o “YES” e seu álbum “Open Your Eyes”, sendo apenas um mau hábito que tenho em botar na geladeira e esquecer por um bom tempo uma banda ou um álbum que a princípio me parece “suspeito”.

Deixando a verborragia de lado, vamos ao que interessa que é dar uma pequena dissecada no excelente álbum, “Radiation”, lançado em 1998, tendo como atrativo extra, a voz de Steve Hogarth, que agora desprovido de qualquer sentimentalismo, sou obrigado a reconhecer que se ajustou perfeitamente a nova proposta musical da banda e que com sua inclusão, o Marillion distanciou-se definitivamente e por completo dos padrões musicais setentistas, passando a adotar uma postura musical mais moderna e adequada às novas tendências que exigem menos firulas e solicitam mais emoção, aproximando o artista de seu público.

Sem medo de ser feliz, posso assegurar que apenas a introdução da música “Cathedral Wall”, já valeria o álbum todo e ele está repleto de excelentes músicas que por pura arrogância e prepotência, deixei para trás e só agora estou me deliciando com elas, entretanto, como sou muito otimista, acredito que possa viver mais uns cinquenta anos se assim Deus quiser, portanto não vai faltar tempo para correr atrás do prejuízo deste e de outros álbuns do Marillion.

Caracteristicamente o Marillion sempre primou muito pela parte instrumental e neste álbum não foi diferente, pois os arranjos são extremamente complexos e sofisticados, obrigando os músicos a chegar ao limite da capacidade, ou seja, o produto final é música de altíssima qualidade.

Outra música em destaque neste álbum é a versão “Big Beat Mix” de “Memory of Water”, do álbum anterior a este, "This Strange Engine", simplesmente sensacional e envolvente, que gruda no cérebro com “Super Bonder”, difícil de escutar apenas umas dez vezes seguidas. 

Não para por ai, tem muito mais e apenas para não me alongar muito, vou destacar também as músicas, “Under The Sun”; “The Answering Machine” e “Three Minute Boy”, riquíssimas em conteúdo, o que é muito difícil de escutar hoje em dia.

Como é um álbum de catálogo e de fácil aquisição, fica o convite a quem ainda por ventura não o conhece e para aqueles que já são íntimos, fica o convite para relembrar as músicas de um excelente álbum.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Marillion:
Steve Hogarth – vocais
Steve Rothery - guitarra
Mark Kelly - teclado
Pete Trewavas - baixo
Ian Mosley - bateria

Tracks:
01 - Costa Del Slough
02 - Under The Sun
03 - The Answering Machine
04 - Three Minute Boy
05 - Now She'll Never Know
06 - These Chains
07 - Born To Run
08 - Cathedral Wall
09 - A Few Words For The Dead
Bonus Tracks:
10 - Estonia Acoustic Version
11 - Memory Of Water - Big Beat Mix




terça-feira, outubro 08, 2013

MARILLION - "German Script"- 1983

O ano de 1983 foi fundamental para o Marillion, pois foi o ano de lançamento de seu primeiro álbum, “Script For A Jester Tear” e foi também o ano que apareceram na televisão pela primeira vez, entretanto, não decolaram com céu de brigadeiro e tiveram que driblar alguns problemas de percurso.

Estavam com problemas em manter na banda, Mick Pointer, seu primeiro baterista, que a princípio foi substituído por Andy Ward (Camel), depois por John Martyr e depois por Jonathan Mover, que está presente neste bootleg, “German Script”, o que para mim foi uma surpresa, tendo em vista que em minha ignorância, eu imaginava a substituição direta por Ian Mosley e não essa "Via Crucis" passada pela banda.

O Marillion como banda, tem uma história de vida interessante, pois inicialmente eram vistos apenas como pobres clones do que havia sido o Genesis, principalmente na “Era Gabriel”por razões óbvias, entretanto, em muito pouco tempo, além de representarem o resgate de uma época que havia sido engolida pela mediocridade musical que assolou fortemente a primeira metade dos anos oitenta, eram vistos por seus fãs como um importante pilar do rock progressivo, que contra tudo e contra todos, impunha a sua marca em momento totalmente contraditório.

O fato é que o Marillion, logo em seguida, lançaria seu segundo álbum, “Fugazi” no início de 1984, tão grandioso quanto o primeiro, mais parecendo uma continuação, pois os temas em cada música continuavam tão ou mais dramáticos do que no primeiro álbum.

A música “Assassing“, que prematuramente está presente neste bootleg, segundo uma entrevista dada por Fish naquela época, sua letra com versos bem desagradáveis, contava a história da demissão de Mick Pointer do grupo por Fish, o “Assassing” desta triste história, mas, no entanto, a motivação de Fish e de certa forma do restante do grupo, era a baixa performance nas apresentações.

A rigor, quando li sobre esta entrevista, fiquei curioso e fui dar uma espiada na letra de “Assassing”, mas confesso que como ela está escrita em versos de linguagem figurada, fica um tanto difícil encontrar uma ligação direta com o fato gerado, dependendo então de uma boa dose de imaginação de nossa parte para fazer esta associação, mas o que importa é que inegavelmente, esta é uma das mais instigantes composições da banda. 

Fazer um concerto no “Hammersmith Odeon” em Londres, além de uma honra para qualquer banda e um fortíssimo indício que a popularidade pode tomar rumos estratosféricos em direção ao Olimpo da Música e por conta disto padrões de qualidade nestes eventos era uma obrigação e como estavam “bombando” em todas as apresentações que por lá faziam, não estava nos planos da banda correr riscos desnecessários.

O bootleg, “German Script”, além de todas as músicas do álbum, “Script For A Jester Tear”, trouxe também algumas “pérolas” que por conta das limitações da mídia da época, os LP’s, ficaram de fora do álbum de estúdio músicas como, The Boats Down From the Candy; Market Square Heroes; Charting the Single além já citada “Assassing” que ainda iria ser parte integrante do álbum “Fugazi”.

Apresentações públicas para o Marillion, nunca foi um problema, pois Fish além de sua intrigante voz, tinha uma postura de palco invejável e se para alguns ele imitava as performances de Peter Gabriel, tanto melhor, pois soube escolher a fonte de inspiração perfeita, demonstrando que tinha bom gosto e coragem em fazê-lo.

Por outro lado, independente do entra e sai de bateristas, guitarras, baixo e teclados que até hoje são uma referência em talento e performances sempre foram muito acima da média, então, como diria João Luiz Woerdenbag Filho, o “Lobão”, a “cozinha” era perfeita, portanto, “German Script” é um excelente convite para lembrar o início da carreira do maior ícone da segunda geração do rock progressivo. 

PS: Falando em Lobão, quem ainda não leu o seu livro, “50 Anos a Mil”, Editora Nova Fronteira, faça-o, pois uma interessantíssima história de vida e luta pela música no Brasil é narrada de forma divertida e irreverente e com certeza sua opinião sobre este polêmico músico vai mudar.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

MARILLION
Fish Vocals
Steve Rothery Guitar
Peter Trewavas –Bass
Mark Kelly –Keyboards
Jonathan Mover –Drums 

Tracks:
01. He Knows You Know
02. Garden Party 
03. Script for a Jester's Tear 
04. Three Boats Down From the Candy 
05. Assassing 
06. Chelsea Monday 
07. Forgotten Sons 
08. Market Square Heroes 
09. Charting the Single

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terça-feira, junho 04, 2013

MARILLION -“The Thieving Magpie - La Gazza Ladra” - 1988

Sem motivação, não há como escrever uma razoável resenha, e neste caso, o que me motivou a escrever esta, não foi o álbum e muito menos a banda, que são ótimos, perfeitos e eu adoro ambos, entretanto, uma reportagem da Folha de São Paulo, datada de 1988, simplesmente tenta destruir o álbum e a banda de forma maldosa e perversa.

Eu li este recorte de jornal há poucos dias no Facebook em uma Fan Page do Marillion/Fish, a “Fishheads Club Brazil” onde o álbum, “The Thieving Magpie”, seu segundo álbum ao vivo, era simplesmente detonado por um “jornalista/crítico??” que eu não vou citar o nome, pois não merece crédito, entretanto, o seu nome poderá ser lido na imagem anexa a esta resenha.

O massacre começa logo pelo título da dita reportagem, dando fortes indícios que o dito repórter, odiava a banda, aliás, odiava o rock, pois seu texto é carregado de forte ressentimento e maldade gratuita, com comparações chulas e despropositadas, apenas com o intuito de denegrir o trabalho alheio, coisa que um energúmeno como ele jamais em tempo algum, teria a capacidade de produzir um milionésimo do pior trabalho do Marillion, pois até para isso, seria necessário competência, atributo este, que inexiste em um ser destrutivo.

Lógico, a história sempre cobra seu tributo e este jornalista, no mínimo, se ainda for vivo, deve morrer de vergonha pela matéria publicada, pois provavelmente deve ter imaginado que a banda acabaria ou coisa parecida, mas contra a história, não há argumentos e sim fatos e o Marillion está na ativa até hoje, com uma incontável legião de fãs espalhadas pelo planeta.


Ler uma crítica desfavorável a um trabalho lastreada por argumentos técnicos ou estéticos ou até mesmo filosóficos é uma coisa, mas ler um texto mal intencionado, somente porque quem o escreveu não é afeto ao assunto, é no mínimo uma falta de ética profissional e um desrespeito aos leitores, que neste caso, ficou muito bem registrado em cada parágrafo, recheado de adjetivos de cunho pejorativo que só tinham um único objetivo, a destruição, é no mínimo “lastimável”, levando se em consideração que o veículo de comunicação utilizado carrega em seu DNA a grife da Folha de São Paulo.

Palavras como mimeógrafo, imitação, pseudo-Gabriel, memória curta e tantas outras, associadas à falta de conhecimento da história do rock e desprezo pela música, fora o total desrespeito pelos leitores, são os ingredientes desta infeliz crítica, feita por um ressentido, amante de outra vertente musical extinta, pois o rock o progressivo, está vivo até hoje. 

O Marillion é uma banda com personalidade própria, formada por músicos de primeira linha, com uma extensa discografia iniciada em 1982, tendo o seu último álbum de estúdio lançado em 2012 e que em dado momento de sua trajetória, mudou seu rumo musical por conta da saída de “Fish” que partiu em carreira solo e mesmo assim manteve o alto nível de álbuns e shows, cada vez mais conquistando fãs, mas até isso, serviu de pretexto para “meter o pau” no trabalho e na banda.

Espero que esta infeliz matéria "jornalística??" sirva como uma “lição aprendida” às novas gerações de jornalistas/críticos e aos meios de comunicação, que entre o artista e seu público, existe uma forte ligação que deve ser respeitada, pois palavras sem fundamentos se perdem no vazio e no descrédito. 

Quanto a este álbum e a banda, querer tecer algum comentário a respeito, para mim é “chover no molhado”, pois tudo o que poderia ser dito, muito provavelmente já foi feito e sem dúvidas alguma, está gravado na história do rock e esta resenha foi elaborada única e exclusivamente como uma forma de “desagravo” a esta crítica tendenciosa e mal intencionada, mas principalmente para resgatar e reconhecer com as devidas considerações o trabalho de um dos maiores  ícones da segunda geração do rock progressivo.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Marillion:
Fish / vocals
Mark Kelly / keyboards
Ian Mosley / drums
Steve Rothery / guitars
Pete Trewavas / basses


Tracks:
CD01:
01. Intro-La Gazza Ladra (2:45)
02. Slainte Mhath (4:48)
03. He knows you know (5:12)
04. Chelsea Monday (7:59)
05. Freaks (7:59)
06. Jigsaw (6:24)
07. Punch and Judy (3:22)
08. Sugar mice (6:02)
09. Fugazi (8:38)
10. Script for a Jester's tears (8:44)
11. Incommunicado (5:23)
12. White Russian (6:13)

CD02:
01. Pseudo silk kimono (2:19)
02. Kayleigh (3:52)
03. Lavender (2:27)
04. Bitter suite (7:37)
05. Heart of Lothian (5:12)
06. Waterhole (expresso bongo) (2:16)
07. Lords of the backstage (6:07)
08. Blind curve (5:34)
09. Childhood's end? (2:47)
10. White feather (4:22)




quinta-feira, janeiro 24, 2013

MARILLION - "So Here We Are Once More" - 1983

A segunda geração do rock progressivo surgiu na década de oitenta e provavelmente seu surgimento tenha sido o responsável para que bandas da primeira geração tenham permanecido com certa dignidade no caos formado pelo nascimento do movimento Punk no final dos anos setenta na Inglaterra. 

Sem dúvidas essa segunda geração fez eclodir nomes como Pendragon, Marillion, Pallas, IQ, Glass Hammer e algumas outras que souberam driblar a nova ordem musical que tinha como objetivo ser “insubordinada”, “rebelde” e “contra tudo”, portanto, mais fácil de ser digerida e também esquecida, pois seu conteúdo básico flertava muito próximo com o “nada absoluto”, mas as bandas setentistas, principalmente as representantes rock progressivo por alguma razão, sofreram muito com este novo direcionamento musical e fatalmente entraram em crise. 

De um momento para o outro, a orientação era para simplificar tudo, então, letra e música sofisticada nem pensar e neste ponto talvez, depois anos a fio, elaborando intrincados enredos e arranjos viajantes, ficava muito difícil dar forma e alma a uma música que nada iria dizer, que não empolgaria e muito menos encantaria a quem estava habituado com muita pompa e circunstância. 

Isso atingiu a todos sem exceção, foi um holocausto musical e se olharmos para trás e analisarmos o que foi feito na década de oitenta por bandas como o Yes, Genesis, ELP, Camel, Focus, Jethro Tull, PFM, Pink Floyd e tantas outras bandas de mesmo porte, o cenário é muito triste e desolador. 

Na década de oitenta, o Yes produziu os álbuns, “Drama” que é até um bom trabalho, mas fica há anos luz dos álbuns anteriores; o "90125", feito especialmente para atender às rádios FM’s; o “Big Generator” muito fraco por natureza e o ABWH, que deu uma luz no final do túnel para a banda. 

Com o Genesis, o negócio foi ainda mais feio, pois sem Peter Gabriel que parece que estava adivinhando o que ia acontecer com banda, tomou outro rumo e saiu fora, o mesmo aconteceu com Steve Hackett que uns dois anos após, pegou suas guitarras e também se mandou, portanto o Genesis adentrou nos anos oitenta, desfalcado de suas melhores cabeças pensantes e o resultado, foram os álbuns, “Duke”, “Abacab”, “Genesis” e “Invisible Touch”, em meu conceito todos muito fracos. 

Eu poderia continuar com essa linha de raciocínio e incluir mais bandas, mas acho que ficaria muito longo e chato, pois essa conversa toda foi apenas para introduzir o álbum, “So Here We Are Once More” que uma apresentação da integra de “Script For a Jester's Tear”, lançado em 1983, do Marillion, com seus B’sides inclusos e com a música “Assassing” que seria lançada apenas no álbum “Fugazi” em 1984. 


Essa embromação toda foi apenas para pontuar a coragem do Marillion em lançar um álbum altamente conceitual, rico musicalmente e nada comercial, contrariando os interesses comerciais de gravadoras, rádios e de até um grande público acéfalo que com certeza não entendeu nada deste álbum, mas por outro lado, foi a redenção para outro grande público, ávido por música com um mínimo de qualidade e que foi surpreendido na época de seu lançamento por um trabalho de altíssimo nível e que hoje sem dúvidas tornou-se um clássico. 

É comum escutar ou ler que o Marillion e que principalmente Fish, imitam o trabalho do Genesis e de Peter Gabriel respectivamente, mas que seja, pois pelo menos eles dão prova de que tem bom gosto e inteligência em ter escolhido o Genesis como uma fonte de inspiração, mas na realidade, fora o fato de Fish gostar de se maquiar e teatralizar sua voz nas músicas, assim como Peter Gabriel o fez em sua época, o Marillion como um todo tem muita personalidade e identidade própria. 

Analisando músicas épicas como as suítes, “Grendel” ou “Forgotten Sons”, não há nada do Genesis nelas, mas todo o conceito e essência do rock progressivo dos anos setenta nela estão contidos, de uma forma mais moderna e que não agrediu aos velhos e também aos novos ouvidos que possuem uma quantidade mínima de neurônios. 

As músicas, “He Knows You Know”; “Garden Party”; “The Web” e “Charting The Single" que são mais simples, carregam em seu DNA toda uma linhagem e linguagem tipicamente progressivas em poucos minutos de duração que facilmente são compreendidas por quem tem familiaridade com este tipo de música. 

Quando chega a vez de “Script For a Jester's Tear”, lá encontramos o “Teatro Genesiano" em sua essência, com todo o seu lirismo e poesia, personificados na potente e bela voz de Fish, que com seu talento nos faz mais próximo de tudo aquilo que amamos. 

O Marillion tem como seu maior patrimônio, seus músicos, pois todos sem exceção são exímios instrumentistas que nos brindaram com álbuns antológicos dentro da era Fish, que prematuramente abandonou o grupo e saiu em carreira solo. 

Relativo a este bootleg que está com o áudio perfeito, uma vez que foi extraído diretamente da mesa de gravação de uma rádio FM , eu apenas estranhei que Mick Pointer que aparece nos créditos de “Script For a Jester's Tear”, não apareceu nos créditos deste trabalho como o baterista e em seu lugar entraram John Martyr na bateria e Andy Ward (Camel) na percussão. 

Esse registro um tanto longo que fiz, foi para pontuar que talvez tenha faltado oportunidade ou mesmo coragem aos nossos “heróis” do passado, em continuar a produzir o que realmente sabiam fazer, ou seja, música com qualidade, conteúdo, determinação, teatro e garra, que foram materializados em álbuns como, “Close To The Edge”, “Mirage”, “Thick As Brick”, “Foxtrot”, “Moving Waves”; “Trilogy”; “Historia Di Un Minuto”, “Atom Heart of Mother” e tantos, mas tantos outros álbuns, que seria impossível de escrever aqui, mas que a história da música fez o favor de registrar. 

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Marillion:
Fish;
Mark Kelly;
Steve Rothery;
Pete Trewavas;
John Martyr;
Andy Ward;

Tracks:
01. Radio Announcement #1 0:26
02. Grendel 17:27
03. Radio Announcement #2 0:13
04. Garden Party Intro 0:29
05. Garden Party 6:49
06. Script For A Jester's Tear 8:55
07. Assassing Intro 0:30
08. Assassing 7:28
09. Charting The Single 5:14
10. Forgotten Sons Intro 0:40
11. Forgotten Sons 10:33
12. Market Square Heros 4:19
13. Margaret (incl. Jean Genie & The Web 6:35
14. He Knows You Know 5:36

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DEPOIMENTOS:

  1. Camaradas, eu gosto muito do Marillion e essa banda ocupa um lugar em minha memória afetiva, desde a época de lançamento do lagaza ladra. A música deles me marcou muito e foi fundamental para que eu me apaixona-se por rock elaborado cada vez mais. Soube no início dos anos 90 que o Fish havia caído fora e que um novo vocalista de nome Steve Hogan havia entrado na banda. Comprei uma coletânea do Marilion que tinha um X na capa e foi só o que tive de material com o na época, novo vocalista.

    Achei muito pop o som mas tinha uma música aqui e outra ali que "passavam" e tinham ainda algum valor. Mas apesar de ouvir muitos internautas dizerem que a fase com Steve Hogan é boa também, nunca tive tanto amor a banda assim que me fizesse escutar todo esse material com esse cara cantando.

    Em 1997 fui num show do Mariliion em BH e foi um puta show para mim por terem tocado vários clássicos do Marilion era Fish. Mas atualmente os caras praticamente limaram quase que completamente do repertório as músicas com o Fish... Aí não animei em ir nessa última apresentação.

    O que vocês pensam sobre o Marillion pós Fish?

    Abraços

    Luciano
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  2. Prezados Capitães e Navegantes

    Mano Véio....você na verdade não fez uma resenha sobre o Marillion, mas sobre um cenário pós anos 70 com o rock Progressivo.

    De todas as bandas que você citou, somente o Marillion conseguiu a expressão mundial equivalente às grandes bandas dos anos 70, as demais, infelizmente sofreram da "Síndrome de Eloy", boas demais, mas pouca mídia e divulgação.

    O Marillion da era Fisch pode ser perfeitamente identificado, como uma versão Genesis de Peter Gabriel dos anos 80. Se o Genesis de Peter Gabriel tivesse formado não no início dos anos 70, mas no início dos 80, seria exatamente igual ao som do Marillion de Fisch.

    Os teclados de Mark Kelly tem nítida influência de Rick Wakeman, a Guitarra de Steve Rothery tem uma marca pessoal que é só dele, colocando-o como um dos mais versáteis e ecléticos guitarristas de rock Progressivo.

    Não vejo Fisch como um clone ou imitador de de Peter Gabriel, mas um cantor, compositor, com criatividade e talento ao nível de Peter Gabriel.

    A obra do Marillion da era Fisch é imaculada....Era exatamente aquilo que nós fãs do rock progressivo estávamos desesperadamente procurando nos apáticos anos 80.

    O que aconteceu com o Marillion após a saída de Fisch, foi um efeito semelhante ao que aconteceu com o Genesis da fase Phil Collins....

    Uma mudança gradativa e radical não apenas no som, mas nas características da banda. Isso de certa forma causou na maioria dos fãs, um certo desconforto, pois em um curto prazo de tempo, os grandes clássicos da era Fisch, foram sepultados.

    Dessa forma, podemos definir que existiram dois Marillions...O Clássico de Fisch, e o Melódico de Steve Hogarth, que como bem colocado pelo Luciano, tem momentos muito bons, mas entre outros oscilam.....

    Oscilam não porque são ruins, mas porque nós fans exigentes e por muitas vezes chatos ( e eu me incluo nesta categoria) não temos mais a parecência ou a boa vontade para ouvir na íntegra um álbum como Brave ou Marillion.com........ Melhor usar este tempo para ouvir os trabalhos da era Fisch.

    PORÉM!!!!!!!!! Tenho a obrigação de registrar mais uma vez neste blog que o Álbum Marbles e sua versão ao vivo Marbles Live estão à altura das obras da era Fisch...

    Parece-me que baixou alguma coisa na banda quando fizeram essa obra que os motivaram ou inspiraram a resgatar neste trabalho, de forma magistral alguma coisa que havia se perdido em 20 anos.....Talvez o fato deste CD ter sido financiado pelos próprios fãs tenha contribuído para isso...

    Obra esta que está sim à altura do blog do Mano Véio, e dos exigentes ouvidos de todos os Capitães e Navegantes que circulam por essas ondas.

    Isto posto....Parabéns pela resenha Mano Véio....Pois como não poderia ser diferente, elas sempre extrapolam a esfera musical...e essa talvez seja a maior contribuição desse Buteco!!!!!

    A todos....do fundo do Meu coração

    ABRAÇO.....FORÇA....SUCESSO!

    The Ancient
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    1. Minha saga com o Marillion, é ambígua, bem contraditória.
      Comprei o primeiro álbum deles, logo quando lançado no Brasil. Cheguei até a falar com o vendedor: poxa, em pleno anos 80, uma banda grava um disco com apenas 6 faixas. E eu não sou um purista progressivo. Aliás, nunca fui purista, de forma alguma,detesto isso!

      Gostei bem mais ainda do segundo LP...

      Já o terceiro, achei que deixava a desejar.

      E comecei a sentir uma certa antipatia pelo Fish, achando que ele não passava de um imitador do Peter Gabriel, bem forçado. Achei engraçadíssimo, quando um crítico da revista Bizz, disse ao comentar sobre um dvd da banda, que o cantor do Marillion, cantava como se fosse um Peter Gabriel chorão rs. Concordei, lógico. rs

      E , um dia, quando eu estava numa loja, a qual fazia minhas compras e trocas, o segundo álbum do Marillion começou a ser executado, a pedido de um cliente. Ao voltar a ouvir aquela introdução, com uma guitarra, creio que sintetizada, uma percussão , tipo tabla, e o vocal do Fish, tive uma recaída(rs). Voltei a gostar do Marillion.

      Pra mim, a obra prima do grupo é o segundo disco, "Fugazzi". E esse álbum é o único, no meu modo de pensar, em que o Marillion, foi, de fato, uma banda, porque nos outros, foram uma Fish Band. No "Fugazzi", cada instrumentista deu tudo de si, o que não escutávamos em outros álbuns com a presença do Fish. Genesis, na minha opinião, nunca foi uma banda do Peter Gabriel, como muitos dizem, mas o Marillion, foi, realmente, a banda do Fish.

      E eu passei a gostar dele, do Fish, tenho até seus dois primeiros LPs solos. Ele foi um Peter gabriel chorão(rs), mas muito simpático. Tenho um vinil, coletêna, no qual, numa faixa ao vivo, ele apresenta um a um dos integrantes do Marillion, e esbanja uma simpatia impressionante!

      Agora, o Marillion não chega nem aos pés do grande Genesis. Seus instrumentistas são bem comuns. Até mesmo Ian Mosley, um baterista que fez furor em outras bandas, se tornou um músico comum no Marillion.

      Quanto a Steve Hogart, ele não tem voz de Peter Gabriel, tem uma voz própria. E "Seasonn' End", é meu segundo disco preferido o Marillion. "Univinted Guest" me arrepia, tanto a melodia, como a letra, e o vídeo também, numa grande interpretação de Hogart.

      Gosto também do segundo disco com Hogart. Mas depois não acompanhei mais a carreira do grupo.
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    2. Meus amigos,

      Com atraso de algumas semanas, vamos tentar dar prosseguimento às nossas conversas:

      Luciano,

      Eu tenho diversos álbuns do Marillion da era “Hogart”, mas confesso que não gosto muito.....
      Eu conto nos dedos de uma das mãos, as músicas que ainda consigo escutar........
      Em relação aos álbuns mais recentes eu nem faço idéia.....

      O problema não é Hogart, que tem muito talento para a música pop, mas o que acontece é que o próprio Marillion, mudou seu rumo para fugir do pop de “Fish” e acabou por fazer o pop de Hogart, o que para mim não teve muito sentido........

      Carlão:

      Eu tenho procurado escrever textos bem curtos, que na maioria das vezes não tem como objetivo o álbum postado, mas serve de pretexto e com a pretensão de dirigir o assunto para uma seara mais abrangente e menos focada em um álbum ou um artista.....

      O Marillion da era Fish, possui um acervo de músicas invejável e comparável ao que foi produzido por outras bandas da década de setenta, não só pela qualidade das composições, mas também pelo talento dos músicos.......

      Você por diversas vezes já citou o ábum “Marbles” como sendo uma boa peça, mas ainda não tive coragem de escutá-lo com boa vontade e ainda têm um “Open Your Eyes” do Yes na frente...........

      Grato pelas palavras, meu irmão.....

      Roderick:

      Que há muita semelhança no estilo de cantar entre Peter Gabriel e Fish, isto é inegável, mas com certeza, Fish têm muita personalidade e talento suficiente para se manter......

      Quando Fish saiu do Marillion, a banda não perdeu apenas um excelente vocal, mas perdeu uma imensa legião de fãs que eram adoradores da voz e das performances de Fish no palco.....

      Hogart tem qualidades sim, mas que ainda não me tocaram a ponto de me conquistar...... pode ser uma questão de tempo, tendo em vista que eu só passei a curtir o Led Zeppelin depois dos quarenta......

      Um grande abraços a todos,

      Gustavo
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      1. Porra.............Até que enfim!!!!!!! eu já tava no maior tédio.......Cê chega no buteco, pede uma, pede duas e cadê os caras??????

        Mano Véio........É exatamente o que eu disse...O Hogarth é legal, tem bom vocal, é afinado, mas a formação do Marillion com ele sofre desse mal que você e eu citamos...Falta boa vontade para ouvir....Mas realmente, eu me rendi ao CD Marbles...Principalmente a versão ao vivo....

        Quanto ao Open Your Eyes, eu realmente estou curioso para ler sua resenha....Você tem um CD do Yes que está no lacre...Hahahahahahaha....

        Cê falou um troço interessante Mano Véio....eu descobri os Ramones depois dos 40....

        Abraço a todos

        The Ancient
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      2. Carlão,

        Eu faço um puta esforço para gostar da banda com o S. Hogart, mas confesso que é difícil....

        E não é por falta de esforço, pois eu tenho pelo menos uns oito álbuns desta segunda fase do Marillion, mas nem assim eu me animo em perder tempo em escutá-los.....

        Acho que no final de semana eu turo o lacre do cd e escuto este álbum (Open Your Eyes) que já ta virando um dramalhão mexicano... hahaha

        Pois é bicho, o Led Zeppelin é tardio para mim e eu carrego todos os álbuns no telefone e escuto quase diariamente....

        Recentemente eu adquiri o blu-ray deles, "Celebration Day" que é de 2007 e mesmo com toda a idade que eles estavam, ainda tocam demais e deixam a platéia em êxtase.... o show é muito bonito e o filho de J. Bonham, o Jason, não nega a filiação e deu um show na bateria.... esse show vale muito a pena ser visto.....

        Abração,

        Gustavo

sábado, maio 12, 2012

MARILLION - "Real to Real / Brief Ecounter" - 1984

Primeiro álbum “Live” oficial do Marillion, “Real to Real”, traz em seu elenco de músicas, o que de melhor a banda já havia produzido até então, com seus álbuns de estúdio, “Script for a Jester’s Tears” e “Fugazi” que resgatam toda a sonoridade dos anos setenta. 

Seu lançamento aconteceu em novembro de 1984, uma época em que a mídia predominante ainda era os discos de vinil e logo em seguida quando migraram para uma mídia mais moderna, os CD’s, teve adicionada a música, "Emerald Lies". 

As gravações são provenientes de dois eventos distintos, sendo um no Canadá no “Montreal Spectrum” e o outro na Inglaterra no “Leicester De Montfort Hall”, que propiciaram um dos melhores, senão, o melhor álbum de rock progressivo dos anos oitenta. 

Em 1997 esse álbum foi remasterizado e ganhou um gigantesco bônus, “Brief Encounter”, com mais cinco músicas, que no passado, foi um EP, para a promoção de uma turnê da banda pelos EUA em 1986. 

Muitos ao lerem a resenha, vão se perguntar o porquê de alguém ainda estar postando um álbum amplamente divulgado e mais do que manjado na Internet, mas com muita facilidade, eu posso responder a esse questionamento, pois, “Real to Real” é o mais importante registro da existência da segunda geração do rock progressivo, mais conhecida como Neoprog, mostrando ao mundo que ainda era possível fazer música com mais de três acordes e com uma letra que não fosse idiota, o que era a tônica dos anos oitenta. 

Fora isso, algumas pérolas que não fizeram parte de “Script for a Jester’s Tear” e “Fugazi”, como "Cinderella Search" e "Market Square Heroes", foram apresentadas e logo caíram no gosto popular e como nesta época era muito difícil ter acesso a um material alternativo, isso quando acontecia, era um como um prêmio ganho. 

Outro aspecto importante é que o Marillion estava em total sintonia interna, ou seja, seus músicos estavam conectados entre si, aumentando a sinergia da banda, portanto, a qualidade das músicas e da sua execução propriamente dita, estava perfeita e com uma fidelidade às gravações de estúdio muito grande, o que normalmente é muito difícil de acontecer, pois os recursos de um estúdio são muito superiores ao utilizados em uma apresentação. 

Destacar alguma música seria até uma injustiça com as demais, mas apenas faço uma referência à música, “Forgotten Sons” que para mim, neste álbum, tem a sua melhor versão “live” e sem dúvidas alguma, Fish nesta música estava em um momento de total de integração e inspiração, dada ao forte apelo emocional que ele conseguiu externar. 

Em resumo, tudo de bom que um álbum pode oferecer ao ouvinte, está presente em “Real To Real”, que é totalmente preenchido por músicas sofisticadas e de difícil execução, apresentadas sem exceção por exímios músicos, que conseguem se destacar sem a preocupação de serem melhores que a própria música.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Marillion:
Fish – vocals
Steve Rothery – guitars
Mark Kelly – keyboards
Pete Trewavas – bass
Ian Mosley – drums

Tracks:
CD1 - Real to Real
01 "Assassing" – 7:29
02 "Incubus" – 8:43
03 "Cinderella Search" – 5:45
04 "Emerald Lies" (Dick, Kelly, Mosley, Rothery, Trewavas) – 5:28
05 "Forgotten Sons" – 10:36
06 "Garden Party" – 6:32
07 "Market Square Heroes" – 7:32

1-4: recorded 19 & 20 June 1984, Montreal Spectrum,
5-7: recorded 5 March 1984, Leicester De Montfort Hall


CD2 - Brief Encounter
01 "Lady Nina (extended mix)" (Dick, Kelly, Mosley, Rothery, Trewavas) – 5:47
02 "Freaks (single edit)" (Dick, Kelly, Mosley, Rothery, Trewavas) – 4:09
03 "Kayleigh (live)" (Kelly, Rothery) – 4:11
04 "Fugazi (live)" (Dick, Kelly, Mosley, Rothery, Trewavas) – 8:32
05 "Script for a Jester's tear (live)" (Dick, Kelly, Mosley, Rothery, Trewavas) – 8:52


"Cinderella Search"

"Forgotten sons"

quarta-feira, novembro 02, 2011

MARILLION - "The Kindergarten Patrol" - 1982

O Marillion se apresentou no “Marquee Club” em vinte e oito de outubro de 1982, fazendo a turnê “Market Square Heroes” onde era divulgado seu primeiro o álbum, “Script for a Jester’s Tear”, obra prima da segunda geração do Rock Progressivo e que acabou por gerar este bootleg intitulado, "The Kindergarten Patrol". 

Independente de semelhanças evidentes encontradas entre Fish e Peter Gabriel e do próprio Marillion em relação ao Genesis, observa-se qualidades indiscutíveis no trabalho do grupo, principalmente na primeira fase da banda ou “Era Fish”. 

Um fato bem marcante é a qualidade de seus músicos, sem exceções, cada qual desempenhado sua função de maneira irrepreensível, resultando em peças musicais de grande apelo e qualidade, podendo ser colocadas lado-a-lado com peças de mesmo gênero da década de setenta. 

A música “Grendel”, uma suíte de quase uns vinte minutos, ficou fadada a aparecer oficialmente alguns anos depois de sua criação no álbum, “B’sides Thenselves”, justamente por conta de seu tamanho e conteúdo temático, é um bom exemplo que define a vocação da banda para o rock progressivo.

Assim como “Supper’s Ready”, a música “Grendel” é um prêmio para seus criadores, pois da oportunidade para que todos mostrassem seu talento e criatividade tendo em vista, que foi concebida com uma complexidade musical extrema, pois há uma variância rítmica e temática muito bem construída, mas que obriga a seus executores a exercitarem seus limites. 

E é justamente disto que o rock progressivo se alimenta, além das construções temáticas de arranjos e letras que de alguma forma proporcionam a tão sonhada viagem musical que sempre estamos buscando, seja em um solo de guitarra ou de um  teclado ou mesmo ainda, nas letras que contam algum fato histórico ou alguma história de ficção. 

Mas o Marillion não está limitado a “Grendel”, pois os dois primeiros álbuns, “Script for a Jester’s Tear” e “Fugazi”, têm um invejável conteúdo, com músicas surpreendentemente muito bem elaboradas, como “He Knows You Know”, “Forgotten Sons”, “Assassing”, “Incubus”, “Fugazi” e várias outras, que são dotadas de um poder de atração muito forte, deixando estes trabalhos em uma condição muito favorável perante outras bandas. 

Vale destacar também que tanto Steve Rothery, bem como Mark Kelly, se tivessem nascidos uns dez anos antes, com certeza teriam um lugar garantido em qualquer grande banda da primeira fase do rock progressivo, pois talento e virtuosismo são duas qualidades que sobram nos dois. 

Fish é uma figura polêmica com um talento nato para a música e que teve como fonte de inspiração em todos os sentidos, Peter Gabriel, aliás,  escolha esta, que não poderia ter sido melhor, pois se há um bom exemplo de figura humana, artista e músico a ser seguido, este com certeza e Peter Gabriel, portanto, Fish tornou-se um músico muito melhor.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Musicians:
Fish - Vocals
Steve Rothery - Guitar
Pete Trewavas - Bass
Mick Pointer - Drums
Mark Kelly - Keyboards

Tracks:
01 The Garden party
02 He Knows You Know
03 The Web
04 Grendel
05 Chelsea Monday
06 3 Boats Down From the Candy
07 Forgotten Sons
08 Market Square Heroes
09 Audience Cheering
10 Margaret

LINK

"Grendel - PT1"

"Grendel - PT2"

"Market Square Heroes"

segunda-feira, agosto 01, 2011

MARILLION - "The Singles 82-88" - 2000

Quando este CD-box do Marillion saiu, ou melhor, quando eu descobri sua existência em uma Fnac da vida, lógico, quase pirei, pois eram doze cd’s que continham músicas para mim, inéditas e algumas gravações de shows antológicos que tinha em fita cassete. 

É interessante tentar entender o raciocínio das gravadoras, que deixam de fora musicas como “Grandel” que é uma obra de arte, “Charting the single”, “Three boats down from the candy”, “Market Square heroes” e algumas outras músicas, que ficaram fora dos álbuns de estúdio que foram lançados ao longo do tempo.

A pergunta que fica é: “Porque tanto tempo para divulgar e difundir um material de qualidade incontestável, que fica mofando nas gravadoras, principalmente as que são oriundas dos shows, onde o artista mostra todo o seu talento, sem a ajuda de efeitos especiais de estúdio?”. 


Sei que há diversas respostas a este simples questionamento, porém, acredito que nenhuma é satisfatória o bastante para convencer-nos desta burrice empresarial, uma vez que simplesmente amamos estas músicas e que gostaríamos de ter acesso a todas elas e se as mesmas estivessem ao nosso alcance a um preço justo, com  certeza seriam adquiridas. 

Mas o que importa é que o erro parcialmente foi corrigido, portanto, acabamos sendo premiados com uma incrível compilação de músicas de estúdio e de shows realizados entre os anos de 1982 a 1988, contemplando as duas formações que o Marillion teve ainda na era Fish, com a substituição de Mick Pointer por Ian Mosley na bateria. 

A cobertura feita na discografia da banda está abrangendo desde o primeiro álbum, “Scrpit for a Jester Tear” até "Cluting at Straws”, o último de estúdio com a presença de Fish nos vocais e revela também grandes apresentações do início da carreira do Marillion, ou seja, tem música para tudo quanto é gosto, basta ouvir. 

Por tratar-se de uma compilação de versões de estúdio não aproveitadas e alguns registros de apresentações feitas, sendo que algumas das músicas, tenho alguma idéia de já ter escutado em alguns outros bootlegs, fica este CD-box oficial do Marillion, como um resgate às origens e a evolução musical da principal banda da segunda geração do rock progressivo. 

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Fish  -  vocals
Mark Kelly - keyboards
Ian Mosley - drums (discs 4 to 12)
Mick Pointer - drums, percussion (discs 1 to 3)
Steve Rothery - guitars
Pete Trewavas - basses

Tracks:


Disc one (26:07)
1. Market Square heroes (4:20)
2. Three boats down from the candy (4:32)
3. Grendel (17:15)







Disc two (13:33)
1. He knows you know (3:33)
2. Charting the single (4:53)
3. He know you know (12" version) (5:07)






Disc three (34:40)
1. Garden party (studio edit) (4:29)
2. Margaret (edit live) (4:09)
3. Garden party (7:15)
4. Charting the single (live) (6:30)
5. Margaret (live) (12:17)




Disc four (16:10)
1. Punch and Judy (single) (3:20)
2. Market Square heroes (rerecorded) (4:00)
3. Three boats down from the candy (rerecorded) (4:02)
4. Market Square heroes (rerecorded) (4:48)





Disc five (20:34) 
1. Assassing (single) (3:39)
2. Cinderella search (single) (4:23)
3. Assassing (7:03)
4. Cinderella search (5:29)





Disc six (21:21)
1. Kayleigh (single) (3:38)
2. Lady Nina (single) (3:44)
3. Kayleigh (Alternate mix) (4:08)
4. Kayleigh (Extended) (4:04)
5. Lady Nina (12" version) (5:47) 





Disc seven (12:12)
1. Lavender (single) (3:44)
2. Freaks (single) (4:07)
3. Lavender blue (12" version) (4:21)






Disc eight (16:46)
1. Heart of Lothian (single) (3:39)
2. Chelsea Monday (live) (7:25)
3. Heart of Lothian (5:42)






Disc nine (17:58)
1. Incommunicado (single) (4:00)
2. Going under (single) (2:44)
3. Incommunicado (5:17)
4. Incommunicado (Alternate) (5:57)





Disc ten (22:16)
1. Sugar mice (5:49)
2. Tux on (single) (5:14)
3. Sugar mice (radio edit) (5:02)
4. Sugar mice (Extended) (6:11)





Disc eleven (17:07)
1. Warm wet circles (7" remix) (4:20)
2. White Russian (live) (7:20)
3. Incommunicado (live) (5:27)






Disc twelve (15:32)
1. Freaks (live)*
2. Kayleigh (live)*
3. Childhood end? (live)*
4. White feather (live)*
* From the album "Thieving magpie"







NEW LINK - 1 
NEW LINK - 2 (corrigido)


"Market Square Heroes"

"Cinderella Search"

"Grendel"