Tinha muito tempo que eu não escutava um trabalho do Novalis e também notei que só tinha postado um único álbum, o que configura uma falha de minha parte, portanto, para limpar minha barra, apresento o álbum “Konzerte”, gravado em abril de 1977.
Como o Novalis não teve uma grande projeção internacional, até mesmo porque a velocidade das comunicações na década de setenta não eram lá essas coisas, acho válido passar algumas poucas informações para situar a banda no contexto do mundo do rock progressivo.
O Novalis, de origem Germânica, foi criado e fundado a partir de anuncio de um jornal de Hamburgo em 1971, por iniciativa de Heino Schünzel e Jürgen Wentzel, que queriam formar uma banda de rock progressivo, o movimento musical que começava a dar seus primeiros passos e bandas na maioria dos países da Europa começavam a aparecer em escala progressiva, seguindo os passos de Pink Floyd, King Crimson, Yes, ELP que começaram um pouco antes.
Seu primeiro trabalho, Banished Bridge, foi lançado somente em 1973, por sinal um excelente álbum, era cantado em inglês, mas por orientação de seu produtor, o Novalis passou a cantar suas músicas em sua língua natal, o alemão e talvez este seja um dos problemas que não permitiram a banda ter a projeção que realmente merecia e merece até hoje, pois não há o menor problema em coloca-los lado-a-lado com o Grobschnitt, Jane, Eloy, Triumvirat e outras, pois talento eles tem e de sobra.
De estilo sinfônico, o Novalis agrada mesmo em suas músicas cantadas em alemão, onde a pronúncia germânica soa um tanto estranho em relação ao inglês que é mais comumente é escutado, mas isso não atrapalha, tendo como único desconforto no meu caso, não poder entender o que está sendo dito. A banda possui fortes fundamentos do rock progressivo em seus teclados e guitarras tornando suas composições harmoniosas e muito equilibradas, o que per si, é um irrecusável convite, fora isso, sem exageros pirotécnicos, conseguiu ter a favor em seu em seu currículo, uma significativa e consistente discografia para coloca-la em pé de igualdade com outras bandas.
A banda passou por algumas mudanças internas, mais isso também não a descaracterizou a ponto de macular a sua essência e com o tempo, adquiriu personalidade própria com seu estilo de misturar música com a poesia e por conta deste amadurecimento, tiveram o mérito em atravessar metade da década de oitenta com muita dignidade e reconhecimento, pois foram seis bons álbuns lançados neste período, o que não deve ter sido nada fácil levando-se em conta as novas tendências que começavam a se instalar já no final dos anos setenta, entretanto, sucumbiram ao final do ano de 1985, engolidos pela revolução cultural instaurada na década de oitenta.
O álbum “Konzerte” sinaliza a vocação progressiva do Novalis, nos brindando com músicas do calibre de “Sommerabend”, uma linda suíte de quase dezenove minutos; as viajantes e instrumentais, “Es Färbt Sich Die Wiese Grün” e "Impressionen" e “Wunderschätze” que é simplesmente uma pérola, portanto, fica o convite a todos para se deliciarem ao som do Novalis que há muito tempo estava esquecido por mim e pelo blog.
ALTAMENTE RECOMENDADO!!!
Novalis:
Hartwig Biereichel - drums, gongs
Detlef Job - electric guitar, vocals
Fred Mühlböck - vocals, acoustic & electric guitars, flute
Lutz Rahn - Hammond H100 organ, PPG synth, Mellotron, electric piano, clavinet, Solina strings
Heino Schünzel - bass, vocals
Tracks:
01. Bolero (00:52)
02. Dronsz (01:53)
03. Es Färbt Sich Die Wiese Grün (08:46)
04. Impressionen (09:31)
05. Wer Schmetterlinge Lachen Hört (09:08)
06. Wunderschätze (Originaltext von Novalis um 1798) (11:20)
07. Sommerabend (18:53)
....a) Wetterleuchten
....b) Am Strand
....c) Der Traum
....d) Ein neuer Tag
....e) Ins Licht
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